5 plantas silvestres que podes incluir na tua dieta alimentar

O conhecimento que os antigos tinham em relação às plantas tem vindo a ser esquecido. Pior do que isso, há muitos anos que deliberadamente colocamos herbicidas nas nossas terras, com o intuito de matar ou afastar ervas daninhas. 

Infelizmente, esta prática acaba por causar alguns distúrbios ao meio ambiente e além disso, matar algumas plantas que têm um valor nutricional elevado e que poderiam ser incluídas na nossa dieta alimentar. 
São chamadas de ervas daninhas, as plantas que nascendo de forma espontânea, em locais e ocasiões indesejados, podem interferir negativamente na agricultura. 

Nem todas são daninhas! 

Muitas das plantas que nascem espontaneamente, são plantas com grande valor nutricional (algumas vezes, superior ao dos vegetais que já consumimos) e que podem facilmente ser incluídas na nossa alimentação. Melhor ainda, sem necessidade de gastar dinheiro!

Há muitos nomes que lhes podemos dar, dentro dos quais, flora silvestre comestível, alimentos silvestres (Portugal) ou plantas alimentícias não convencionais (Brasil).

São encontradas nos mais variados locais. Em quase todos os cantos do planeta há comida selvagem.


Para quem quiser saber mais, pode seguir este canal do youtube ou comprar o livro  “Ervas Silvestres Comestíveis - Guia Prático” da autora, apresentadora e especialista no tema, Alexandra Azevedo.

Para já, deixo-vos com uma lista de 5 das muitas plantas silvestres que podemos incluir na nossa dieta alimentar:

1. Dente de Leão (Taraxacum officinale)

Sementes de Dente-de-Leão

Comecemos então pelo Dente-de-leão! 

Nome científico 'Taraxacum officinale', uma planta da família das Asteráceas, muito comum junto a margens de caminhos, prados e campos cultivados.

 Folha e flor de Dente-de-Leão
Quem não se lembra de brincar ao "o teu pai é careca"?

Pois bem, esqueceram-se de nos dizer que esta planta é muito rica em Potássio e outros sais minerais (Vitaminas A,B,C e D).

As folhas podem ser consumidas na Primavera, antes da floração. As raízes não devem ser consumidas em fresco, mas podem ser consumidas secas ou cozinhadas, tendo um efeito semelhante ao café. As flores também são comestíveis, podendo adicionar-se a saladas ou refrescos.

2. Chagas / Capuchinhos (Tropaeolum majus)

Chagas (Tropaeolum majus)
Apesar de ser uma planta excelente em termos alimentícios, está desde 2015 considerada como uma planta invasora em risco de desenvolvimento (invasoras.pt), e a sua plantação é altamente desaconselhada. 

De qualquer das formas, é uma planta frequente e com bastantes benefícios para a saúde. Cabe a cada um de nós, tomar consciência da forma como as utiliza.

Da família 'Tropaeolaceae', nome científico 'Tropaeolum majus', é uma planta anual no nosso país, sendo vivaz (vive por mais de 5 anos) nos seus países de origem, na América Latina.

Sementes de chagas (Tropaeolum majus)

É uma planta rica em Vitamina C, glicocinatos e componentes antibióticos que não afectam os intestinos.

Desta planta são comestíveis as folhas, caules, flores e sementes (todas podem ser consumidas frescas em saladas). As sementes jovens e tenras podem ser maceradas em vinagre para servirem como pickles.

*Atenção: Contém algum ácido fosfórico e oxálico, por isso o seu consumo não deve ser exagerado, para evitar problemas de cálcio. 

3. Beldroegas (Portulaca oleracea)

Beldroegas (Portulaca oleracea)
As Beldroegas (Portulaca oleracea) dão origem a uma sopa bastante conhecida e são umas das minhas silvestres comestíveis favoritas.

São geralmente encontradas em terrenos agrícolas e muitas vezes tratadas como ervas daninhas. É uma planta rasteira de folhas carnudas, muito fácil de identificar.

A sopa de beldroegas é o prato mais conhecido, mas as folhas também podem ser usadas em saladas ou outros pratos. 

Tem ómega 3, 6 e 9 (mais do que alguns peixes) e vários sais minerais: Cálcio, Fósforo, Ferro, Magnésio, Vitaminas A, B1, B2, B5 e C.

*Atenção: Evite comer muitas folhas ou caules avermelhados. Estes contêm ácido oxálico que pode causar deficiências de cálcio no organismo

4. Trevos (Trifolium spp.)

Trevos (Trifolium spp.)
Trevos? Quem diria? 

Pois é, não só são comestíveis, como ainda têm um grande valor nutritivo. São conhecidos como um excelente estrógeneo natural, sendo usados para prevenir e tratar sintomas relacionados com a menopausa em fitoterapias. 

Podem ser consumidas quaisquer espécies ou variedades de trevos encontradas em Portugal.

Para além de ser um estrogéneo natural, a planta é ainda rica em glicosídeos, ácidos fenólicos, cumarinas, saponinas e sais minerais (Cálcio, Ferro, Magnésio, Potássio e Zinco)

5. Conchelos ou Umbigo-de-Vénus (Umbilicus rupestris)

Conchelos (Umbilicus rupestris)
Para terminar, os umbigos de Vénus. 

É uma planta muito comum e das que mais gosto de comer em fresco. Encontro muitas vezes quando faço caminhadas na floresta.

É uma planta perene e frequente em paredes com musgo, fendas, telhados, árvores e rochas. Podem ser comidas das mais variadas formas, sobretudo frescas, em batidos, no pão, saladas, etc. 

Esta planta é ainda usada para sarar feridas, picadas de insectos, frieiras, dores reumáticas e de ouvidos, por exemplo através da maceração em azeite ou cataplasma.

São ricas em sais minerais (Cálcio, Potássio, Silício, Ferro, Vitaminas C e taninos).


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*Atenção: A escolha do local onde colhemos as plantas é muito importante. Verifiquem sempre, se não estão demasiado perto de estradas, zonas contaminadas com metais pesadas ou herbicidas.

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Há muitas outras plantas que podemos enumerar. Se souberes de alguma, não hesites em deixar nos comentários para deixar esta lista mais completa.
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