Viagem, Frutos e Natureza



Há muito tempo que não escrevia para o blog, com muita pena minha. Infelizmente não tenho tido o tempo que desejava para escrever, mas espero agora conseguir lançar pelo menos um artigo por semana. O tempo o dirá. Para já, deixo-vos com um artigo escrito por um grande amigo que já não vejo há muito tempo. 

Este artigo foi escrito pelo meu grande amigo Sérgio Ramos, professor de Ashtanga Yoga, viajante nato, sempre animado e à procura de novas experiências. Uma pessoa que procura a essência em tudo aquilo que faz, uma pessoa incrível sem qualquer sombra de dúvida. 


Este post fala de alguns frutos que o Sérgio conheceu ou teve o prazer de provar durante as suas viagens. Alguns deles nem eu alguma vez tinha visto. Tenho a certeza que vão gostar.

Ora aqui vai, desfrutem:



Este fruto (fotografia em cima) mais conhecido por Pitahaya por ser um fruto de cacto indígena das Américas, em inglês tem o nome comum de Dragon Fruit refletindo o nome a que é chamado na Ásia de Buah Naga (Buah=fruto ;Naga=dragão). Pertence ao género Hylocereus e das três espécies de frutos doces comestíveis, todos de casca ligeiramente folhosa: H. undatus (característica pela sua pele rosa e carne branca); H. megalanthus (característica pela sua pele amarela e carne branca); está é a Hylocereus costaricensis com pele rosa e carne vermelha, assim chamada por ter sido descoberta pela primeira vez na Costa Rica. Embora a espécie seja nativa da Costa Rica e Nicarágua é na Indonésia que eu reparo pela primeira vez no fruto. Estas são as espécies de cactus mais cultivadas para fins comerciais, não só pelo seu fruto saboroso mas também pela sua apreciada qualidade ornamental devido às suas enormes flores. Esta espécie da família Cactacea é uma planta suculenta trepadora, sobrevive em ambientes áridos e rochosos (xerófita) e, sendo facilmente cultivada, encontra-se adaptada a ambientes variados ocorrendo em florestas secas ou folhosas à beira-mar.
Fui primeiro chamado à atenção deste estranho fruto exótico pela sua casca rosa e folhosa e o nome a que está associado de fruto dragão. Abrindo o fruto para o provar foi a sua cor magenta brilhante, e as suas centenas de sementes que me transportaram para o mundo do fantástico. A sua polpa sumarenta de sabor ligeiramente doce, para mim inteiramente desconhecida, apenas me assemelhou ao sabor do que poderia ser uma beterraba frutosa e fresca, mas provavelmente é a minha associação das cores que conecta os paladares.
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Purple Mangosteen ou apenas Magosteen (Garcinia mangostana, da família Clusiaceae) é uma árvore tropical persistente acreditada ser natural dos arquipélagos da Malásia e da Indonésia. No entanto é encontrada principalmente no sudoeste da Ásia, no sudoeste da Índia, e noutras áreas tropicais como a Flórida e Puerto Rico, onde a planta foi introduzida. Sendo uma árvore tropical, o Mangosteen tem de estar exposto constantemente a temperaturas quentes, porque quando encontrada sobre temperaturas inferiores a 0 graus Celsius por um longo período de tempo, geralmente mata uma planta madura. No entanto recuperam bem de pequenos períodos de temperatura negativa, efectando apenas o crescimento de jovens plantas.
A árvore cresce entre 6m a 25m de altitude. O fruto é doce, sumarento e fibroso embora branco no endocarpo, relembrando os gomos dos citrinos, ótimo para os seus dia quentes. No entanto o exocarpo não é comestível, de cor roxa avermelhada quando maduro, que quando maduro no seu tamanho final ocupa cerca de 1cm do raio do fruto, perfeito para quem tem mais olhos que barriga.
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Rambutan é o nome comum dado a uma árvore tropical de médio porte e ao seu fruto pertencente à família Sapindaceae, com nome taxonômico de Nephelium lappaceum. Rambutan é nativa das regiões da Malásia e Indonésia, e de outras regiões do sudoeste tropical Asiático, e está proximamente relacionado a outros frutos tropicais comestíveis como a lichia, “longan” e “mamonchilo”. O nome comum, do sudoeste asiático, rambutan deriva das línguas malaio-Indonésio, sendo que “rambut” significa cabelos, e o sufixo “an” dà o estado de nome, referindo aos cabelos pretuberantes da casca do fruto. No Vietename tem o nome de “chôm chôm”, significando cabelo desajeitado, designado o que podem ver na foto. No entanto é mais fácil descascar este fruto do que parece, e uma vez dascascado pode-se saborear a doçura fresca, suculenta e sumuenta, de uma baga translúcida semelhante à uva em que numa trinca se refresca o corpo todo.
As flores são pequenas e crescem numa panícula terminal, de cerca de 15-30cm de largura. Dando origem a um cacho pendente de um conjunto de 10-20 bagas redondas ou ovais de uma semente. As árvores rambutan podem ser: macho, que só produzindo flores estaminais para propagar o pólen não dão fruto; fêmea, dando flores apenas fêmea; ou hermafroditas, dando flores maioritariamente femininas tendo uma pequena percentagem de flores masculinas. Portanto há que prestar atenção uma vez que se queira produzir o fruto. 
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Para os ocidentais conhecido como snake fruit, mas nas suas terras nativas tem o nome de salak, e seu nome botânico é Salacca Zalacca, e é uma palmeira da família Arecaceae, nativa em Java e Sumatra na Indonésia. Contudo hoje já é amplamente cultivado em Bali, Lombok, Timor, Maluku e Sulawesi. É uma palmeira pequena com folhas longas até 6m de cumprimento e os frutos nascem em cachos na base do tronco. Também é conhecido por snake fruit por sua pele fina de escamas castanha avermelhada, como se fosse uma cobra embrulhada. Têm o tamanho e forma de um figo maduro, quando descascado a sua polpa comestível está dividida em 3 segmentos, que isolados aparentam uns dentes de alho sem casca, mas para mim que estou acostumado ao Outono-inverno português facilmente relembra uma castanha descascada. Cada lóbulo contém uma semente grande não comestível e o sabor dos lóbulos é ácido e doce, para alguns relembra uma mistura subtil de sabores entre a banana e o ananás. O salak de Bali é crocante e humido, e a sua consistência lembra a do dente de alho ou da castanha assada. Curiosamente enquanto a casca da castanha aparenta ser um ouriço-cacheiro, a casca do Salak aparento uma cobra, denotando a sua natureza exótica foi um factor que me cativou imediatamente passeando pelas bancas de fruta… é animal ou fruta?
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Duku, botanicamente chamado Lansium parasiticum, são uma variedade de uma espécie de árvores da família botânica Meliaceae. Tem a sua origem no ocidente da península da Malásia. Facilmente confundido com outros frutos semelhantes, como o Langsat. A sua árvore atinge uma altura de 30m e 75cm de diâmetro de tronco, e este cresce irregularmente, deixando visíveis as suas raízes horizontais.
O fruto duku, como o conheci em Bali, é uma curiosa pequena baga que descascada lembra os pequenos citrinos, com semente semelhante, do tamanho do cunquato, com o seu sabor cítrico espevitante e fresco. Não o sabor mais impressionante do mundo mas é fácil de agradar, fácil de carregar e pratico de comer. 

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Viajar e conhecer novos frutos foi uma grande forma prazerosa que encontrei de conhecer a natureza e ambientes culturais e botânicos dos locais a que cheguei. Fico surpreendido com as formas e os sabores novos e estranhos, saindo assim de um limite de contacto com frutos diferente condicionado não pela região onde nos encontramos, mas também pelo monopólio de supermercados, que a acabam por suprimir os mini-mercados e os frutos que não convêm o negócio. E do conhecer os frutos eu gosto de fazer uma viagem extra e ir de encontro a sua árvore, e conhecer está no seu contexto natural, leva-me a conhecer o seu eco-sistema e seu contributo para a populações vizinhas, seja fauna ou flora, ou até como as sociedade beneficiam a nível comercial e caseiro. Daí se abre um mundo todo, do tradicional até ou mais comtemporâneo, que em qualquer parte do mundo vale a pena conhecer, ou simplesmente não esquecer.

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É assim chega ao fim este artigo bem interessante sobre frutas exóticas que o meu grande amigo Sérgio conheceu durante as suas viagens. Aconselho-vos a espreitarem o blog dele em https://espiritodeviagem.tumblr.com/ e a deixar um like na página de facebook: https://www.facebook.com/SergioRamosAVYoga/

Se tal como o Sérgio, desejarem ter um artigo vosso publicado aqui no blog, não hesitem em comunicar. O blog está aberto a qualquer pessoa e podemos publicar desde da natureza selvagem à natureza humana. O céu não é o limite! :) 

Até já :)

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